O PMI da Indústria Transformadora do Brasil, da S&P Global, caiu para 47,5 em julho, face aos 50,8 anteriores, voltando a colocar o índice abaixo do limiar de 50,0 que separa a expansão da contração. A descida aponta para um enfraquecimento das condições fabrís ao longo do mês.
A leitura de julho marca uma inversão face ao melhor desempenho do período precedente e indica uma perda de dinamismo no conjunto do setor transformador brasileiro. O PMI da S&P Global é elaborado a partir de respostas a inquéritos e é acompanhado de perto como indicador de produção, encomendas e atividade industrial em sentido lato.
Impacto no real brasileiro e nas ações domésticas
A queda inesperada do PMI da Indústria Transformadora do Brasil, da S&P Global, para 47,5 em julho — face aos 50,8 — sinaliza uma contração acentuada na maior economia da América Latina. Consideramos que esta viragem súbita deverá exercer pressão descendente imediata sobre o real brasileiro (BRL) e sobre as ações domésticas. Os traders de derivados devem preparar-se para um aumento da volatilidade, à medida que o mercado incorpora rapidamente esta passagem de expansão para contração.
Sugerimos a compra de opções de compra (calls) de USD/BRL de curto prazo para beneficiar de um enfraquecimento do real. Com a moeda já sob fatores adversos, esta contração pronunciada do PMI poderá empurrar a taxa de câmbio USD/BRL para lá de níveis-chave de resistência. Historicamente, quando o setor transformador do Brasil contrai a este ritmo, o real tende a depreciar-se face ao dólar em média 2% a 3% nas semanas seguintes.
Oportunidades nos mercados acionista e de taxas de juro
Do lado das ações, recomendamos assumir posições curtas em futuros do índice Ibovespa ou comprar opções de venda (puts) sobre o ETF MSCI Brazil (EWZ). A fraqueza na indústria transformadora tende a levar a revisões em baixa das estimativas de resultados para as principais empresas industriais e de materiais, que têm um peso significativo no índice. Estes dados deverão, provavelmente, desencadear saídas de capital, à medida que investidores internacionais reduzem a exposição à volatilidade dos mercados emergentes.
Aconselhamos ainda os traders a acompanhar de perto os futuros de taxas de juro do Brasil, conhecidos como contratos DI. O Banco Central do Brasil, que tem mantido a taxa Selic de referência em níveis elevados para combater a inflação, poderá agora enfrentar forte pressão para travar novas subidas de taxas ou até ponderar cortes, para apoiar o crescimento. Tomar posições longas em futuros de taxas de juro de curto prazo poderá gerar retornos interessantes, à medida que o mercado começa a refletir uma política monetária mais dovish.
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