Donald Trump afirmou que os EUA iriam adiar o lançamento de novos ataques contra o Irão, invocando a perspetiva de se chegar “rapidamente” a um acordo sobre o programa nuclear de Teerão e a reabertura total do Estreito de Ormuz. Disse que as negociações com o Irão, provavelmente através de intermediários, começariam na segunda-feira e descreveu ter cancelado o que disse que teria sido um “ataque maciço” na sexta-feira. Trump acrescentou que conversações envolvendo a Arábia Saudita, os EAU, o Qatar e o Irão sustentaram a sua decisão e que eram esperados acordos sobre a gestão do Estreito e sobre a desnuclearização no Irão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse no domingo, via Telegram, que as conversações entre o Irão e Omã estavam na fase final. Afirmou que os dois Estados que ladeiam o Estreito de Ormuz estavam a discutir uma nova rota de passagem, enquanto as negociações não abordavam se a via marítima seria encerrada ou mantida aberta. Em separado, a agência semi-oficial iraniana Mehr negou que Teerão tenha pedido a Washington que suspendesse mais ação militar. O Axios noticiou no domingo que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, instou Trump a abster-se de ataques adicionais, e a agência noticiosa estatal saudita disse que ele defendeu o diálogo para desescalar as tensões.
Volatilidade do Mercado e Estratégias de Negociação com Derivados
Estamos perante um ambiente de elevada volatilidade para os derivados de energia, numa altura em que as tensões geopolíticas no Médio Oriente se mantêm num equilíbrio delicado. Com negociações entre os EUA, o Irão e intermediários regionais previstas para começar esta segunda-feira, os traders de derivados devem preparar-se para movimentos bruscos e súbitos nos preços dos futuros de crude. Consideramos que o mercado irá, numa primeira fase, incorporar um alívio temporário, mas o ceticismo subjacente de Teerão significa que não podemos excluir picos repentinos de aversão ao risco.
O Estreito de Ormuz continua a ser a peça-chave do tabuleiro, com cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, o que representa aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos petrolíferos. Historicamente, mesmo ameaças menores de encerramento fizeram o índice de volatilidade do crude da Cboe (OVX) disparar mais de 30% em poucos dias. Como Omã e o Irão estão a discutir rotas de trânsito sem abordar um eventual encerramento, esperamos que a volatilidade implícita nas opções se mantenha muito elevada.
Coberturas de Proteção e Gestão de Posições
Recomendamos que os traders de derivados evitem apostas direcionais pesadas e, em vez disso, se concentrem em estratégias baseadas em volatilidade, como straddles ou strangles longos, para capturar movimentos de grande amplitude. Para quem procura cobrir carteiras existentes, a compra de opções call sobre Brent fora-do-dinheiro (out-of-the-money) é uma forma prudente de proteção contra uma rutura súbita das conversações. Como vimos em anteriores escaladas no Médio Oriente, quando o Brent subiu quase 10% numa única semana, o custo da proteção via opções é reduzido face ao risco de ser apanhado com uma posição curta.
Atualmente, a inclinação (skew) das opções sobre o crude Brent mostra um forte enviesamento para calls, sinalizando que o mercado continua profundamente preocupado com disrupções na oferta, apesar da suspensão dos ataques. Devemos acompanhar de perto o prémio das puts de curto prazo, pois qualquer progresso concreto nas negociações poderá esmagar rapidamente este prémio geopolítico. Manter agilidade, com stop-losses apertados nos contratos de futuros, é crucial à medida que navegamos estas manchetes nas próximas semanas.
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