O Brent subiu para valores elevados na casa dos 90 dólares depois de um porta-voz dos Houthis ter afirmado que dois petroleiros foram alvo no Mar Vermelho, prolongando o risco de perturbações num importante corredor marítimo, numa altura em que os fluxos também enfrentam tensão em torno do Estreito de Ormuz. Uma alegada ofensiva ao largo da Arábia Saudita ajudou a impulsionar o Brent acima dos 96 dólares por barril, reforçando as preocupações de que a dinâmica do conflito está a transbordar para as rotas de abastecimento de energia e a alimentar um novo impulso inflacionista.
Os mercados de taxas têm reagido menos como um movimento convencional de “risk-off” e mais como um choque inflacionista. As yields de Treasuries, Bunds e gilts subiram, à medida que os mercados incorporam um impacto energético mais persistente e voltam a colocar no preço mais aperto ao longo das curvas globais. A subida do petróleo está a apertar as condições financeiras enquanto os bancos centrais continuam a ponderar inflação versus crescimento, deixando as regiões expostas de forma diferente, com a Ásia ainda ligada ao ciclo tecnológico e a Europa mais diretamente exposta à pressão da energia e das taxas.
Riscos de oferta de energia e posicionamento em derivados
Com o Brent a disparar acima dos 96 dólares por barril e a ameaçar romper os 100, estamos a assistir a ameaças severas à oferta nos corredores marítimos mais críticos do mundo. O tráfego diário através do Estreito de Ormuz representa mais de 20 milhões de barris, ou cerca de 20% do consumo mundial de líquidos petrolíferos, tornando qualquer conflito local altamente disruptivo. Para navegar este cenário, aconselhamos os traders de derivados a construir posições longas em opções call sobre Brent e crude WTI para capturar mais potencial de subida.
Obrigações, ações e estratégias de cobertura num choque inflacionista
Os mercados globais de obrigações estão a tratar este pico da energia como um choque inflacionista direto, em vez de um típico movimento de fuga para a segurança. Por exemplo, a yield da Treasury norte-americana a 10 anos voltou a aproximar-se de 4,5% nas últimas semanas, o que mostra que os investidores estão a incorporar um período prolongado de taxas de juro elevadas. Devemos responder vendendo futuros de obrigações soberanas de longo prazo ou recorrendo a swaps de taxa de juro para beneficiar da subida das yields globais.
O impacto económico é muito desigual, com a Europa a absorver um doloroso choque de energia e de taxas, enquanto a Ásia continua a beneficiar do ciclo tecnológico global. Esta clivagem geográfica permite montar operações de valor relativo, como vender futuros de ações europeias como o Euro Stoxx 50, mantendo posições longas em índices asiáticos expostos à tecnologia. Sugerimos também a compra de opções put sobre o euro face ao dólar norte-americano para proteger contra a estagflação na Zona Euro.
Como a volatilidade de mercado ainda está relativamente baixa face a choques energéticos anteriores, as opções continuam a ser uma forma acessível de cobertura. Devemos procurar comprar volatilidade diretamente através de opções call sobre o VIX ou de straddles longos em ETF relevantes do setor energético. Este posicionamento protegerá as nossas carteiras caso os bancos centrais sejam obrigados a voltar a subir as taxas para combater esta nova vaga de inflação.
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