A despesa total das famílias no Japão caiu 0,3% em termos homólogos em maio. O dado foi mais fraco do que zero, mas superou a expectativa do mercado de uma queda de 2,5%.
A diferença entre o valor observado e a previsão de consenso aponta para condições de consumo mais firmes do que o antecipado durante o mês, embora a despesa continue a ter contraído em termos anuais.
Surpresas nos dados do consumidor e implicações para a política monetária
Estamos a interpretar os dados de despesa das famílias de maio, em -0,3%, como uma surpresa positiva significativa face à previsão de consenso de -2,5%. Isto sugere que a resiliência do consumidor japonês está a ser subestimada pelo mercado. Tal põe em causa a narrativa de uma economia doméstica profundamente fragilizada e obriga-nos a ajustar o nosso posicionamento.
Estes dados mais fortes do consumidor, em conjunto com o mais recente valor de inflação subjacente (core) de junho, que ficou em 2,4%, aumentam a pressão sobre o Banco do Japão (BoJ). A justificação para manter uma política monetária ultra-acomodatícia está a enfraquecer. Acreditamos que o mercado está a subavaliar o risco de uma viragem mais “hawkish” por parte do BoJ nos próximos meses.
Estratégia de mercado e posicionamento de risco
Assim, estamos a considerar posições que beneficiem de um iene mais forte nas próximas semanas. O desfazer do “carry trade” do iene poderá ser acentuado e rápido, semelhante ao que observámos após o ajustamento inesperado de política no final de 2022. Estamos a ponderar comprar opções de compra (calls) sobre JPY contra o dólar, para tirar partido de uma potencial valorização com risco definido.
No que diz respeito a derivados sobre ações, mantemos uma postura cautelosa em relação ao Nikkei 225. Embora uma economia mais forte seja, em termos fundamentais, positiva, um aperto de política surpreendente por parte do BoJ deverá pressionar as ações em baixa, à medida que os custos de financiamento sobem. Vemos valor na compra de opções de venda (puts) sobre o Nikkei como cobertura ou como posição “short” especulativa face a este risco de política.
Por fim, antecipamos uma subida da volatilidade implícita em ativos japoneses. A maior incerteza quanto ao próximo passo do BoJ torna atrativas estratégias “long volatility”, como “straddles” em pares cambiais como USD/JPY. Também estaremos atentos a oportunidades para vender em curto (short) futuros de Obrigações do Governo do Japão (JGB), uma vez que qualquer sinal de normalização da política fará subir as yields.
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