Os estrategas do Societe Generale, Kit Juckes e Olivier Korber, consideram que a recente pausa na valorização do dólar norte-americano é temporária, com a tendência de fundo sustentada por um crescimento robusto nos EUA, uma inflação persistente e um choque favorável nos termos de troca face à Europa e à Ásia. O banco espera que a força do USD se mantenha ao longo do segundo semestre de 2026, depois de a moeda já ter subido face à maioria dos principais pares.
O enquadramento de preços do petróleo mais elevados surge como reforço da vantagem dos EUA: a economia norte-americana já vinha a superar as congéneres europeias e asiáticas, e o movimento do petróleo acrescentou um choque positivo para os EUA, mas negativo para a Europa e para a Ásia. O Societe Generale afirma que o dólar subiu face a dois terços das outras principais divisas e face a todas as moedas do G10, com exceção de duas — o AUD e a NOK, beneficiárias de recursos naturais. Dos motores de crescimento identificados — petróleo, investimento em capex de IA e apoio orçamental — apenas o petróleo é descrito como em recuo.
Superação da Economia dos EUA e Força Persistente do Dólar
Vemos a recente pausa na valorização do dólar como uma oportunidade de compra, não como uma inversão. A economia dos EUA continua a mostrar uma força notável, com o relatório do emprego de junho, divulgado na semana passada, a indicar que as folhas de pagamento não agrícolas (non-farm payrolls) superaram com folga as expectativas, mantendo a taxa de desemprego num baixo 3,7%. Esta superação fundamental face à Europa e à Ásia é o núcleo da nossa visão para o segundo semestre de 2026.
A inflação persistente confirma que a Reserva Federal deverá manter as taxas de juro mais altas por mais tempo do que outros bancos centrais. Os dados mais recentes do PCE, o indicador de inflação preferido da Fed, continuam teimosamente elevados em 2,8%, bem acima da meta de 2%. Consequentemente, as expetativas de mercado para um corte de taxas foram adiadas para dezembro, sustentando a vantagem de yield do dólar.
Oportunidades Táticas e Vantagens Estruturais para o Dólar
Para os traders, isto aponta para a continuação da fraqueza no par EUR/USD, sobretudo depois de os dados mais recentes da produção industrial alemã terem mostrado uma contração inesperada. Estamos a considerar comprar opções put sobre o EUR/USD com vencimentos em setembro e outubro para nos posicionarmos para uma queda. Esta estratégia permite-nos capitalizar a força do dólar, definindo de forma rigorosa o nosso risco.
De forma semelhante, a divergência de política monetária entre uma Fed hawkish e um Banco do Japão hesitante torna atrativas as posições long em USD/JPY. O diferencial de taxas de juro continua a favorecer o dólar, criando pressão persistente sobre o iene. Estamos a usar opções call sobre o USD/JPY para expressar esta visão, visando novos máximos antes do final do ano.
Mesmo com os preços do petróleo a recuarem dos seus picos para cerca de 75 dólares por barril, o choque favorável nos termos de troca dos EUA ainda não terminou. Os EUA continuam a ser um exportador líquido de energia, em forte contraste com regiões importadoras de energia como a Europa e o Japão. Esta vantagem estrutural, combinada com um investimento doméstico massivo em capital para IA, deverá manter o dólar bem suportado.
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