O EUR/JPY caiu mais de 100 pips na quinta-feira, numa sessão em que o iene japonês se fortaleceu de forma generalizada durante o arranque da sessão europeia, com o mercado a especular sobre uma possível intervenção de Tóquio depois de a moeda ter deslizado para mínimos de 40 anos face ao dólar norte-americano no início da semana. O par recuou de forma acentuada desde o pico de terça-feira nos 185,86, mas manteve-se acima da zona dos 183,75, onde o suporte tem, até agora, travado a queda; as métricas de momentum intradiário continuaram a inclinar-se para um cenário baixista. As autoridades japonesas não comentaram o movimento e o Japão não confirmou intervenções anteriores.
O cruzamento negociava nos 184,17 após recuperar a partir do retraçamento de Fibonacci de 78,6% da subida do final de junho. No entanto, o RSI (14) a quatro horas situava-se perto de 37, enquanto o MACD se mantinha em território negativo. A resistência foi identificada em torno de 184,20, o retraçamento de 61,8%, que tem limitado os ganhos antes da antiga zona de suporte 184,65–184,85 e do máximo de 185,86. Uma quebra abaixo de 183,75 colocaria nos radares os 183,17, mínimo de 24 de junho, seguido de 182,45 no nível de Fibonacci de 127,2%.
Impacto de uma Suspeita de Intervenção e Mudança da Dinâmica de Mercado
Dada a suspeita de intervenção por parte de Tóquio, passamos a encarar o EUR/JPY com um viés fortemente baixista. A queda súbita de 100 pips mostra que as autoridades estão a defender ativamente o iene, criando um novo e relevante fator de risco para quem mantém posições longas. Para nós, isto altera o enquadramento: de um mercado de seguimento de tendência para um mercado dominado por risco de manchete e volatilidade.
O timing deste movimento, mesmo antes do feriado de 4 de julho nos EUA, é crítico. A menor liquidez pode amplificar o impacto de qualquer nova intervenção, tornando mais prováveis movimentos bruscos e imprevisíveis nos próximos dias. Mantemo-nos, por isso, em alerta máximo para uma eventual nova ação das autoridades no sentido de fortalecerem a sua moeda.
Recuar às intervenções do final de 2022 fornece um “roteiro” do que pode acontecer. Na altura, o Japão gastou um recorde de ¥9,2 biliões (cerca de 60 mil milhões de dólares) para sustentar o iene quando este enfraqueceu, mostrando capacidade financeira e disponibilidade para agir de forma decisiva. Dados recentes indicam que o iene tem negociado perto de mínimos de 40 anos face ao dólar, o que reforça o incentivo para esta renovada atuação.
Ajustes de Estratégia num Ambiente de Elevada Volatilidade
Para a nossa estratégia, o principal “takeaway” é o salto na volatilidade. A volatilidade implícita nas opções sobre EUR/JPY deverá ter aumentado, com o índice de volatilidade a 1 mês para pares com iene provavelmente a subir de forma acentuada a partir dos mínimos recentes. Isto torna a compra de opções mais cara, mas cria oportunidades para vendermos prémio através de estratégias como bear call spreads.
Com os indicadores de momentum a apontarem para baixo, estamos a considerar a compra de opções put para nos posicionarmos para uma queda adicional. Vemos o nível de 183,75 como uma linha crítica; uma quebra abaixo poderá abrir caminho para objetivos como 183,17 e mesmo 182,45. As puts permitem-nos definir o risco num contexto que se tornou subitamente muito incerto.
Para gerir o risco em alta, estamos também a ponderar vender opções call ou call spreads com strikes bem acima do máximo recente de 185,86. A ameaça de intervenção deverá funcionar como um travão significativo a quaisquer recuperações nas próximas semanas. Esta abordagem permite-nos arrecadar prémio, apostando que as autoridades japonesas impedirão o euro de estabelecer novos máximos relevantes face ao iene.
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