O dólar norte-americano ultrapassou os seus anteriores intervalos de negociação no universo G10 após um acordo provisório de paz entre os EUA e o Irão e uma mudança na comunicação da Reserva Federal. A alteração na narrativa da Fed coincidiu com a subida do Dollar Index (DXY) acima de 101, segundo dados da Bloomberg com data de 26 de junho, sinalizando uma rutura com os níveis estabelecidos em vários pares cambiais do G10.
A diminuição das tensões geopolíticas tenderia, em condições normais, a reduzir a procura de USD enquanto moeda de refúgio, mas o foco deslocou-se para as taxas de juro nos EUA. Uma reavaliação mais “hawkish” das expectativas de taxa, a par de um crescimento norte-americano resiliente, é apontada como o principal motor de curto prazo para a moeda, com a política da Fed enquadrada em torno da resiliência económica e não de compromissos “à la stagflation” discutidos noutros países do G10. O artigo foi produzido com recurso a uma ferramenta de Inteligência Artificial e revisto por um editor.
Mudança de política da Fed e “breakout” do dólar
Acreditamos que o recente “breakout” do dólar norte-americano é apenas o início de um movimento mais amplo em alta. O US Dollar Index (DXY) ultrapassou o nível de 101 e está agora a negociar de forma firme em torno de 101,80, sinalizando uma mudança clara na dinâmica do mercado. Esta força é impulsionada sobretudo por uma alteração de tom da Reserva Federal, atualmente mais focada na resiliência do crescimento nos EUA.
Os dados económicos mais recentes sustentam esta leitura, com o relatório de emprego de junho a mostrar uma adição robusta de 215.000 empregos (non-farm payrolls). Além disso, o indicador de inflação preferido pela Fed, o índice Core PCE de maio, fixou-se num persistente 3,1% em termos homólogos, bem acima do objetivo do banco central. Esta combinação de crescimento forte e inflação persistente reforça a nossa expetativa de, pelo menos, mais uma subida de taxas antes do final do ano.
Implicações para traders e dinâmica global do FX
Para os traders de derivados, isto significa que o período de baixa volatilidade e de negociação em intervalo (“range-bound”) nas moedas G10 deverá ter terminado. Vemos valor em posicionar para uma continuação da força do dólar através da compra de opções call sobre o USD ou de opções put sobre moedas como o euro e o iene japonês. Esta estratégia permite aos traders beneficiar da subida esperada do dólar, definindo claramente o risco máximo.
A divergência entre os EUA e outras grandes economias está a tornar-se mais evidente, sobretudo depois de os dados recentes da produção industrial alemã terem mostrado uma contração. Este contraste entre uns EUA resilientes e uma Zona Euro em dificuldades deverá alimentar novos fluxos de capitais para o dólar. O compromisso continuado do Banco do Japão com a sua política ultra-expansionista também cria um diferencial de taxas de juro significativo, que pesa fortemente sobre o iene.
Este enquadramento faz lembrar o ambiente de mercado de 2022, quando o aperto agressivo da Fed levou o DXY a máximos de 20 anos, enquanto outros bancos centrais avançavam de forma mais lenta. Os fundamentais atuais sugerem que um percurso semelhante poderá estar a formar-se. Assim, recomendamos que os traders ajustem as suas posições, afastando-se de estratégias que apostam em condições de negociação em intervalo e aproximando-se de estratégias que beneficiem de uma tendência sustentada de valorização do dólar nas próximas semanas.
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