O dólar norte-americano iniciou a semana praticamente inalterado, com o Índice do Dólar (DXY) estável em torno de 101,35. Os mercados preparam-se para uma semana carregada de dados nos EUA, liderada pelo relatório de emprego de junho (Nonfarm Payrolls, NFP), com divulgação marcada para quinta-feira, a par das vagas de emprego JOLTS de maio e dos PMI do ISM da indústria e dos serviços de junho. As expectativas de política monetária continuam no centro das atenções, e a ferramenta CME FedWatch aponta para uma probabilidade de quase 90% de, pelo menos, uma subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal este ano.
O papel mais amplo do dólar continua sustentado pelo seu domínio no comércio e nas reservas globais. A moeda representa mais de 88% do volume mundial de transações cambiais, o que equivale a uma média de 6,6 biliões de dólares em transações diárias com base nos dados de 2022, enquanto o duplo mandato da Fed se centra na estabilidade de preços e no pleno emprego, tendo como referência uma inflação de 2%. Para além das taxas, a flexibilização quantitativa (QE) tende a enfraquecer a moeda ao expandir o crédito e a liquidez, ao passo que o aperto quantitativo (QT) é o inverso e, em geral, dá suporte à divisa. Em paralelo, o foco recai também sobre a possibilidade de negociações entre EUA e Irão no Qatar, após ataques nas imediações do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento por onde passa cerca de um quinto dos fluxos energéticos globais.
Próximos dados económicos dos EUA e volatilidade do mercado
O Índice do Dólar mantém-se estável em torno de 101,35 no arranque da semana, mas antecipamos um aumento significativo da volatilidade à medida que nos aproximamos das divulgações desta quinta-feira. Este período de calma deverá ser o “calm before the storm” para os mercados cambiais. Consideramos que isto cria uma oportunidade para posicionamento tendo em vista um movimento relevante de preços.
O relatório de emprego de junho (NFP), na quinta-feira, é o principal acontecimento que estamos a acompanhar. Com a Reserva Federal já não a oferecer orientação prospetiva (forward guidance), este único dado ganha um peso enorme nas expectativas de política monetária. Um número forte reforçará quase certamente o argumento a favor de taxas de juro mais elevadas e de um dólar mais forte.
As expectativas apontam para um aumento do emprego em cerca de 190 mil, o que seria uma melhoria assinalável face ao valor mais fraco de maio, de 175 mil. Com os dados mais recentes do IPC subjacente (Core CPI) a mostrarem que a inflação continua persistente nos 3,6%, um relatório robusto do emprego consolidaria uma subida de taxas por parte da Fed. A ferramenta CME FedWatch já indica uma probabilidade próxima de 90% de, pelo menos, uma subida este ano.
Oportunidades de negociação e “wildcards” geopolíticos
Tendo em conta o aumento esperado da volatilidade, vemos valor em opções de curto prazo sobre os principais pares do dólar. Comprar straddles ou strangles antes da divulgação do NFP é uma estratégia sólida para negociar o movimento esperado dos preços, independentemente da direção. A volatilidade implícita deverá aumentar à medida que nos aproximamos do anúncio de quinta-feira.
Estamos também a monitorizar os dados dos PMI do ISM desta semana para obter mais pistas sobre a saúde da economia. Além disso, as conversações em curso entre os EUA e o Irão são um fator imprevisível para os mercados. As tensões no Estreito de Ormuz já elevaram o preço do Brent para acima de 95 dólares por barril, acrescentando pressão inflacionista global que a Fed não pode ignorar.
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