O WTI, o crude de referência dos EUA, recuou para cerca de 69,60 dólares no início da sessão asiática de segunda-feira, caindo abaixo dos 70,00 dólares após relatos de que os EUA e o Irão acordaram suspender os ataques e voltar a reunir-se no Qatar na terça-feira. A pausa surge após mais de três dias de ações de retaliação em torno do Estreito de Ormuz, enquanto se noticiou que as conversações do fim de semana tinham estagnado depois de ataques dos EUA a alvos militares iranianos. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão afirmou ter destruído oito instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein.
O foco do mercado está em saber se a retoma de contactos EUA-Irão reduz os riscos para a navegação através do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto dos fluxos mundiais de oferta de petróleo e que poderá pressionar os preços se o trânsito normalizar. A atenção vira-se também para os dados de inventários, com o relatório semanal de crude do American Petroleum Institute previsto para terça-feira e os números da Energy Information Agency no dia seguinte; as duas séries costumam ficar dentro de 1% uma da outra em 75% das vezes. Para lá da geopolítica, a formação de preços do WTI continua a acompanhar a dinâmica oferta-procura, os movimentos do dólar norte-americano e a política de produção dos 12 membros da OPEP, bem como do agrupamento OPEP+, que acrescenta dez produtores não-OPEP.
Perspetivas para o preço do petróleo e posicionamento baixista
Com o West Texas Intermediate a cair abaixo dos 70,00 dólares com a notícia de uma desescalada EUA-Irão, vemos um sinal claramente baixista no curto prazo. O risco imediato de uma grande disrupção da oferta a partir do Estreito de Ormuz está a diminuir, o que retira um pilar fundamental de suporte aos preços. Assim, estamos a posicionar-nos para uma potencial fraqueza adicional à medida que nos aproximamos das conversações no Qatar.
Tendo em conta este cenário, estamos a considerar a compra de opções put sobre o contrato de futuros de WTI com vencimento em agosto, para capitalizar uma eventual descida em direção à zona média dos 60 dólares. Esta estratégia oferece uma forma de risco definido para lucrar caso as conversações diplomáticas sejam bem-sucedidas e os fluxos de petróleo fiquem assegurados. É uma aposta direta no sentimento atual do mercado.
Dados de inventários, cumprimento da OPEP+ e gestão da volatilidade
Esta visão baixista é reforçada pelos dados recentes de inventários da Energy Information Administration (EIA), que mostram as existências de crude em 460,9 milhões de barris, quase 4% acima da média de cinco anos. Isto indica que o mercado já está bem abastecido, ficando mais vulnerável a qualquer notícia positiva no plano geopolítico. Um mercado em excesso de oferta tem pouca margem para absorver novos choques.
Além disso, estamos a observar menor disciplina entre alguns membros da OPEP+, com países como o Iraque e o Cazaquistão alegadamente a produzirem acima das quotas acordadas nos últimos meses. Este aumento constante e não autorizado da oferta cria uma pressão descendente subjacente sobre os preços. Limita a capacidade do grupo para contrariar quaisquer quedas de preços resultantes do alívio das tensões.
Ainda assim, a situação continua altamente volátil, e um colapso das conversações poderá fazer os preços dispararem. Por essa razão, estamos também a modelar operações sobre volatilidade, como straddles longos, que beneficiariam de um movimento significativo do preço em qualquer direção. Isto permite-nos fazer cobertura face ao resultado binário das negociações.
Historicamente, o mercado petrolífero tende a retirar muito rapidamente os prémios de risco geopolítico quando a diplomacia assume o comando. Vimos padrões semelhantes em anteriores tensões no Golfo, em que o pico inicial de preços esbateu quando ficou claro que as rotas marítimas se manteriam abertas. Este precedente sugere que o caminho de menor resistência para os preços do petróleo nas próximas semanas é, provavelmente, em baixa.
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