O euro recuou face ao iene na quarta-feira, a cair 0,08%, numa altura em que aumentou a especulação em torno de uma possível intervenção cambial por parte do Japão e em que a inflação no produtor no país ficou acima das estimativas, ultrapassando a fasquia dos 3%. O EUR/JPY negociava nos 183,70, após um máximo intradiário de 183,92, mantendo o cruzamento sob pressão.
Do ponto de vista técnico, o movimento em baixa levou o EUR/JPY de níveis semanais próximos da média móvel simples (SMA) de 50 dias, nos 185,32, para abaixo da SMA de 100 dias, nos 184,60 — uma quebra que também arrastou a cotação através dos 184,00. O Índice de Força Relativa (RSI) aponta para momentum baixista; uma queda abaixo de 183,00 colocaria em foco a SMA de 200 dias, nos 182,36, e uma descida adicional poderia visar 180,81, o mínimo de oscilação de 12 de fevereiro. Em alta, um regresso acima de 184,00 voltaria a centrar a atenção na SMA de 100 dias e depois nos 185,00, com a SMA de 50 dias acima e, mais além, o máximo de 17 de junho, nos 186,32.
Fatores Fundamentais e Técnicos para o EUR/JPY
Tendo em conta o momentum baixista no EUR/JPY, encaramos a recente quebra abaixo da média móvel simples (SMA) de 100 dias, nos 184,60, como um sinal relevante. Os motores fundamentais são a ameaça persistente de intervenção japonesa e a inflação no produtor, que continua a superar as estimativas. Isto sugere que, no curto prazo, o caminho de menor resistência é em baixa.
A ameaça de intervenção parece agora mais real do que nos meses anteriores, sobretudo depois de o principal diplomata monetário, Masato Kanda, ter afirmado recentemente que as autoridades estão prontas para agir “24 horas por dia”. Historicamente, avisos verbais coordenados como este têm muitas vezes antecedido ação direta no mercado, como se viu durante as intervenções do final de 2024. Além disso, os dados de inflação subjacente do Japão divulgados para maio de 2026 fixaram-se em 2,7%, permanecendo teimosamente acima do objetivo do Banco do Japão e acrescentando pressão para uma normalização da política.
Considerações de Estratégia e Oportunidades de Negociação
Para as próximas semanas, consideramos que a compra de opções put com preços de exercício abaixo do nível atual de mercado é uma estratégia prudente. Em particular, estamos a olhar para vencimentos em julho e agosto com strikes em torno de 183,00 e 182,50, tendo como objetivo a SMA de 200 dias. Esta abordagem oferece uma forma de risco definido para tirar partido de uma potencial descida em direção ao suporte de 180,81.
Como a intervenção pode provocar oscilações súbitas e acentuadas nos preços, a volatilidade implícita está a subir, encontrando-se atualmente perto de um máximo de três meses, nos 11,2%. Isto torna estratégias long volatility, como a compra de um straddle, atrativas para traders que esperam um movimento amplo, mas não têm certezas quanto ao timing. Um straddle at-the-money lucraria com um movimento significativo do preço em qualquer direção, algo característico de um evento de intervenção.
Por outro lado, com o potencial de subida aparentemente limitado pelos avisos oficiais, vemos uma oportunidade na venda de call credit spreads fora do dinheiro. Montar um spread com strikes acima do forte aglomerado de resistências em 185,50 e 186,00 poderá permitir encaixar prémio, definindo ao mesmo tempo o risco máximo. Esta estratégia beneficia se o EUR/JPY negociar de lado ou, como antecipamos, descer.
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